sábado, 8 de novembro de 2008

Bom dia!

Hoje quando acordei lembrei-me de quando entrei na faculdade. Fui pra Bauru pro inicio das aulas muito triste, primeiro porque meu sonho era estudar na USP, em São Paulo, segundo porque na época sentia-me triste porque ficaria longe do namorado que tinha na época (depois de um tempo o namoro acabou e compreendi que a saudade era de todos e não só dele, mas com 18 anos...). Meu irmão e minha cunhada me levaram e já voltaram pra casa e eu acordei numa segunda-feira totalmente sozinha, numa terra estranha. Faltava chão e eu mal conseguia respirar. Fui às compras e lá pelo meio da tarde descobri que havia perdido minha única esperança de ainda ser chamada pela FUVEST. Chorei compulsivamente na Igreja da Praça Rui Barbosa, por muito tempo. Um rapaz que me viu chorando entrou atrás de mim e me abordou, me consolou, nem perguntei seu nome. Dia destes lembrei disso e pensei: "tal rapaz gentil e solidário deve ter me achado uma boba, sofrendo tanto por tão pouco, afinal eu não entrei na USP, mas estava na UNESP, que também é um grande feito. Mas isso é outra historia.
Terça-feira, primeiro dia de aula,quer dizer, aula-trote. Brincadeiras, pedágio na esquina da Torre de Belém, uma padoca que já não existe mais, cortei o pé e tomei uma bronca da Esli, minha veterana, por não estar com nenhum documento. É que em Cambuí a gente não saía com documentos, não precisava, todo mundo te conhece.
Quarta, nada de aula, quinta, festa do bicho da UNESP, que eu fui com a Angela, minha primeira amiga da faculdade, num bar-boate que, eu acho, se chamava Tequila. E rodoviária, bora pra casa, cansei de brincar de faculdade.
Estava com um trem no pé que achei que era frieira e pense que chegando em casa o meu namorado iria me emprestar a solução de iodo,que eu passaria e ficaria tudo bem. Mas não era frieira, era dermatite de contato, um trem sem causa específica, mas que fica muito feio e incomoda muito e que me impediu de colocar o pé no chão por duas semanas e meia. Na mesma época meu pai quebrou o braço direito numa estrepolia destas de andar no mato. Ficamos os dois de castigo em casa, eu num sofá, ele no outro, o dia todo juntos. Lembro-me que foi a primeira vez que me dei conta de que ele estava envelhecendo, já não tinha mais a mesma desenvoltura de antes e hoje penso que foi daqui que surgiu o medo terrível de perdê-lo que me assombrou a faculdade inteira. Eu sonhava com o velório dele de tempos em tempos e rezava pra Deus não permitir que acontecesse, que me desse mais um tempo, que me deixasse casar antes e ter minha família porque acreditava que isto me daria estabilidade e força pra aguentar a saudade. Ele ouviu minhas preces.
No dia que peguei o ônibus pra ir pra facul vi meu pai chorando pela segunda vez na minha vida. A primeira foi no velório do meu tio Joaquim, irmão dele, que faleceu quando eu ainda era criança. E ainda me lembro dele e da minha mãe olhando o ônibus passar da esquina perto de casa.
Nos dias em que ficamos de castigo, o dia todo um fazendo companhia pro outro, ele ficou me convencendo de desistir de voltar pra Bauru, tentou me seduzir dizendo que pagaria o cursinho, mas e se eu não passasse de novo no vestibular da FUVEST? Era muito arriscado, então quando deu, voltei.
Primeiro dia de aula de fato: Psicologia Experimental. A turma já estava toda entrosada e eu lá, já conhecia o povo, mas totalmente perdida. Precisava fazer dupla para o laboratório do ratinho e tinha mais duas meninas que estavam começando naquele dia também, a Flávia e a Lu Arruda. Figuras inesquecíveis. A Flavia com um visual roqueira, com umas correntes penduradas, umas unhas pretas, uma camiseta meio assim, tipo rasgada, ou era a calça. Enfim. Não tenho muita certeza se era mesmo o primeiro dia dela, porque eu não fiquei amiga dela neste dia,era figura demais pra minha caipirisse, mas ela também não tinha dupla de laboratório. Depois nos tornamos grandes amigas, ela me ensinou a usar o computador, minha única professora deste universo que ainda não domino, nem acho que vou dominar, mas ela me lançou neste milênio, me tirou da pré-história e é uma amiga muito querida até hoje, destas que mesmo longe não sai do nosso pensamento.
E a Lu Arruda, que o Luiz Carlos, nosso professor, determinou que seria minha dupla. Outra imagem inesquecível, aquela menina muito linda de pele branca, olhos muito azuis e um cabelo tingido de preto, destacando toda aquela beleza. Fiquei intimidada. Primeiro dia de laboratório, que era sábado pela manhã, ela passou mal e lá fui eu comprar comida pra ela, ela conta essa história no blog dela, e este foi o inicio de uma amizade sem fim. Lembro-me de um sem fim de histórias em que a Lu esteve presente em minha vida, como quando me decepcionei com uma "amiga" com quem morava e que me traiu e a Lu me levou pra morar uns dias na casa dela, porque eu não aguentava olhar na cara da fulana, eu ainda não era essa tipinha apimentada que não guarda nada. Na época eu engolia tudo, faz um mal... Nesta ocasião a Lu acordava com um galo cantando, um despertador muito surreal que, na primeira noite que dormi na casa dela custei a entender porque tinha um galo cantando no quarto, só a Lu mesmo pra ter um despertador assim.
E teve a outra vez que eu saí no tapa com outra menina com quem eu também morava - nossa, minha Luiza vai achar que a mãe dela é uma encrenqueira lendo este post - e que me mudei pra casa da Val outra amiga queridíssima que eu não sei bem por onde anda, por dois dias até acertar minha mudança de república. No dia de mudar lá vamos eu, a Lu e uma "gangue" convocada por ela pra me proteger da sicrana que me agrediu, porque eu fui agredida, coisa fácil de provar comparando ambas as partes do conflito.
Mas acho que o laço de amizade com a minha querida Lu ficou forte mesmo depois do barbante. Nossa professora de dinâmica de grupo fez uma dinâmica com nossa turma, no ultimo dia de aula, antes da festa na casa da Ângela, em que cada um tinha que entregar uma ponta do barbante pra alguém e dizer porque estava entregando. Eu recebi da Lu Bratt e entreguei pra Lu Arruda. Da turma toda eu conseguia olhar pra ela, só conseguia enxergá-la e sei que este momento foi importante para ela também, tanto quanto foi pra mim, ou até mais. Ela entregou pro Cris, nosso amigo que hoje é padre. Nesse dia soubemos que o Clever seria pai. Nossa, quanta lembrança...
Foi difícil sobreviver em Bauru, principalmente com eu paizinho todo o tempo me dizendo pra voltar, que aquele lugar não prestava, só me fazia mal, me deixou doente... Essas figuras inesquecíveis, e outras que não estão listadas aqui, são os grandes responsáveis por eu não ter desistido, são parte ativa na conquista do meu diploma que, há pouco meu pai enfim reconheceu que não foi em vão o sacrifício. Já hospitalizado ele disse uma vez que tudo o que ele havia feito por mim eu estava agora fazendo por ele. De fato, penso que se eu não tivesse me revelado essa pessoa teimosa, talvez tivesse desistido e teria sido muito mais sofrido pra ele ficar nesta terra de gigantes que é São Paulo. Meu pai nunca frequentou escola então ele não entendia muito bem essa coisa de faculdade e pior, nunca consegui explicar direito pra ele o que faz um Psicólogo, aliás, quem consegue? Mas de alguma forma ele reconheceu que foi sim um bom investimento. Graças a Deus, à minha teimosia, ao amor apaixonado que ele sentia por mim e à força e companhia dos meus amigos queridos que tiveram tanta paciência com a menina chorona que só reclamava.
Fico pensando que quando chegar a hora da Luiza vou pirar, e ela ainda nem nasceu, mas espero que ela encontre pessoas tão carinhosas e sinceras como a mãe dela encontrou.

2 comentários:

LucianaArruda disse...

ai Ni, só você para lembrar daquele despertador..eu tenho ele até hoje! k mas tirei a pilha, ficou só a lembrança...kkkk ô minha amiga, que coisa boa, saber que sobrevivemos,´não é?! SOBREVIVEMOS!
Te amo, sempre...
=]

Flávia disse...

Oi Nivia
realmente vc lembra de coisa! Nem eu lembrava como era na época da faculdade, tampouco a história do computador.
Apesar das dificuldades que cada uma de nós passou, cada uma a sua maneira, penso que foi uma fase fundamental em nossa vida. Afinal, se vc não tivesse ido para lá, não teria conhecido o pai da Luiza, logo, a Luiza não seria Luiza.
Beijos