sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Você conhece o Amigo Deus?

Há duas noites sonhei que o mundo tinha acabado. Estava meio que dentro de uma piscina muito grande, mas vazia, com algumas pessoas estranhas à minha volta. Estava sozinha, sem meu marido, sem minha filhinha, sem as pessoas que amo. Eu havia sido deixada para trás, tinha ficado sozinha, completamente sozinha. Fiquei desesperada, acreditando que nunca mais teria ao meu lado as pessoas que amo. Olhei para o céu e pedi a Deus que me levasse também, que não me deixasse aqui. Acordei, eram 03:45h. Para meu conforto e alívio minha pequena já estava acordada e pulando dentro de mim e isso me fez ver que não passou de um sonho ruim, mas que passou. Enxergo os momentos de desespero como falta de fé, falta de fé em Deus, fé Naquele que tudo vê e tudo pode. Ainda assim tenho certa dificuldade em entregar completamente meu caminho a Ele e deixar que Ele me conduza. Tenho o mal hábito de achar que posso estar no controle de minha vida, mas todo os dias eu e todos nós nos deparamos com coisas que não controlamos, que não podemos sequer opinar ou intervir. Ou seja, não podemos grandes coisas mesmo. Mas tem uma coisa que a gente pode escolher, para isso Deus nos deixou livres: podemos escolher que caminho seguir, se vamos ser bons ou maus, se seremos tementes a Ele ou se vamos esquecê-Lo. O mais impressionante é que, quando tudo parece negro, Ele sempre acende a luzinha para dizer que está aqui, ao meu lado. Seja um PowerPoint, seja o contato de um amigo, seja uma ideia maluca que de repente brota em meus pensamentos, ou a presença da Luiza naquele momento de desespero e falta de ar que quem já teve um pesadelo conhece bem.
Alguém conhece o valor de uma amizade? Amigo é alguém que a gente escolhe pra vida da gente, nada nos obriga. Mas é importante que a gente seja escolhido também, não há relação possível em via de mão única. E Deus nos escolhe todos os dias, basta escolhê-lo também. Ocorre-me que todos os dias vivemos inúmeros encontros, pessoas de todos os tipos cruzam nossos caminhos, umas mais confiáveis, outras nem tanto, e alguns anjos também, que de maneira silenciosa nos protegem sem que percebamos. Eu costumava dizer que família a gente não escolhe, a gente nasce, e amigo, o contrário, então é mais que família muitas vezes. Mas de repente me salta os olhos que de fato não escolhi onde nascer, mas fui escolhida. Não por minha mãe ou por meu pai, mas por nosso grande Pai. Fui escolhida para ser filha e irmã e agora fui escolhida para ser mãe e anjo de minha filhinha. Somado a tudo isso, fui escolhida para ser esposa do meu marido e amiga de várias pessoas queridas. E a mim coube escolher fazer parte de tudo isso.
Falei com minha grande amiga Anna esta semana e estava contando a ela a experiência de ser mãe. O quanto faz diferença estar disponível para viver este momento e o quanto tantas mães não valorizam isso. Nós, que somos Psicólogas, convivemos com cada historia, hoje custo acreditar que possam existir almas que não se encantem com este milagre, com esta riqueza. Pois é assim que me sinto, parte de um milagre e abençoada com uma grande fortuna, uma afortunada é o que me tornei assim que a Luiza começou a se formar aqui dentro. Mas de repente me parece que o que acontece é que as pessoas estão vivendo suas vidas de maneira distraída e não se dão conta do momento em que são escolhidas, logo ficam sem escolher fazer parte, sendo arrastadas pelo que está posto.
Tenho medo. Tenho medo de não ser uma boa mãe, de não conseguir honrar com este maravilhoso compromisso que aceitei assumir, mas tenho muito mais medo de ficar distraída e perder os detalhes deste momento, tenho medo de acordar e ver que o meu mundo de fato acabou e eu não vivi o que tinha pra viver.
Não dá pra ver e viver tudo, mas acredito que dá pra dar conta de uma boa parte. Que Deus, nosso Pai misericordioso nos ajude a escolher a melhor forma de estar por aqui e que assim seja.

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