Meu amigo Nicolino me contou semana passada que acompanha o meu blog e me deixou muito feliz, porque, como apenas minha amiga Lu deixa comentários, fico com sensação de que somente ela lê, e o meu marido, que acompanha fielmente cada capítulo de minha vida. Fiquei realmente feliz, porque se meu desejo não fosse dividir minhas experiências eu teria feito um diário e não um blog.
É engraçada essa coisa de conviver com os dois lados da moeda, vida e morte. Convivemos o tempo todo com estes dois lados e sempre optamos por negligenciar o primeiro e negar o segundo, o que acaba por tornar nossa existência vaga, sem expressão. Um dia na aula do Professor José Carlos Michelazzo ele disse que, quando alguém morre somos tomados de surpresa, como quem diz: "Oh, morreu, como pôde acontecer!" Como se não soubéssemos que isso pode sim acontecer, como se realmente fôssemos pegos de surpresa.
Tenho estado muito angustiada por estes dias, não porque meu pai morreu, mas porque viver às vezes é um tanto trabalhoso. Como qualquer ser humano normal, sofro de ansiedade pelas coisas que não posso controlar e às vezes tenho muita dificuldade em ter paciência e esperar o tempo certo das mesmas. Daí me angustio, fico sem ar.
Tem um ditado popular que diz: o que não tem remédio, remediado está. Pois bem, se não controlo tudo é porque nem tudo precisa ser controlado, algumas coisas são apenas, quer a gente queira, quer não, não é assim?
Domingo, tomada por esta angústia enquanto voltava do aeroporto após ter deixado meu marido, achei que ia sufocar se voltasse pra casa, foi quando me veio a ideia de ir à missa. Devia ser umas 19:15h. A missa costumava ser às 20h e eu pensei que não teria paciência de esperar começar, mas decidi parar assim mesmo. Como os arredores da Igreja não são um ambiente assim muito familiar, pensei que se não conseguisse um bom lugar para estacionar, talvez fosse melhor ir embora. Parei na porta da Igreja, tinha uma vaga perfeita esperando por mim e, para minha surpresa, cheguei às 19:30h e a missa estava começando, não poderia ter sido mais perfeito. Deus, que é quem está no controle de tudo me levou até lá para me dizer que Ele está cuidando de tudo, que não tenho motivos pra me preocupar. Enquanto a missa se desenrolava meu coração ia se acalmando e acabei me lembrando que quando criança eu ia à missa com meu pai e depois a gente parava na lanchonete quintal para comer doce. Eu não gostava da missa, sentia sono, mas adorava os doces. Tinha um bolo amarelinho com uma cobertura toda branca que eu adorava, ele era molhadinho por dentro. Nunca mais comi. Até tentei conseguir a receita com o Seu Jesus, dono da finada lanchonete, com quem trabalhei por 5 anos na prefeitura de Cambuí, mas ele não se lembrou que bolo era aquele. Eu também gostava de uma torta de côco que a massa era meio salgadinha, talvez devido à manteiga usada para untar a forma, mas que tinha um recheio bem docinho, huuummm. E o arroz doce também era dos deuses, com açúcar queimado e canela em pó. Naquele tempo penso que Deus falava comigo através dos doces, pois em companhia deles a vida também se tornava doce e eu sentia a confiança de que tudo ia dar certo. Hoje os doces são calorias a mais e uma bela bronca na consulta de pré-natal, mas acho que a maturidade me ensinou a ouvir o que Deus tem a me dizer de outra maneira, pela palavra, pela leitura da Bíblia e pela sensibilidade em perceber sua obra em minha vida.
Ainda assim me desespero às vezes, porque eu acho que ainda não aprendi a entregar minha vida a Ele e fico sempre querendo controlar tudo.
Dia 05 deste mês fez um ano que meu pai fez sua primeira consulta na UNIFESP. No dia 25 fará um ano que ele veio em definitivo pra se tratar. Dia 04/12 completará um ano da cirurgia, um dia que ele desejou muito que chegasse pois seria a concretude de que tudo deu certo, dia 21/12, um ano que ele teve a primeira complicação a primeira re-internação. Dias 24 e 25/12, um ano do Natal que passamos no hospital, dia 28/12, alta. Dia 31/12, passagem de ano com todos felizes e saudáveis, cheios de esperança de que a cura era possível e que tudo não passou de um sonho ruim. E assim por diante.
Penso que se dedicássemos um tempo para pensar na morte, saberíamos melhor aproveitar a vida. Tenho sonhado com meu pai e ele sempre está vivo no meu sonho, embora eu não consiga saber se está feliz ou triste. Eu fico triste quando penso nele, fico feliz quando sinto a Luiza se mexer no meu ventre e fico triste de novo em não poder dar uma ligadinha pra ele pra contar como a neta dele está sapeca e forte. Penso que conviver com tudo isso é realmente um dom que Deus nos dá, porque não é fácil. Todos os dias tomo a decisão de seguir adiante porque a vida não pára, embora às vezes o cansaço é tanto que dá vontade de pedir a Deus que, já que Ele está no controle de tudo, será que não daria pra dar uma paradinha no mundo só pra gente tomar uma águinha, dar uma descansadinha antes de continuar?
Quande penso que estou grávida penso também que o mundo tem jeito. Várias amigas minhas estão grávidas também ou tiveram filho à pouco. São muitas as razões que levam uma mulher ou um casal a querer ter um filho, mas acho que o que pouca gente pensa é que ter um filho é uma atitude que envolve e beneficia toda a humanidade. Alguém disse, acho que no curso de gestante que fiz, que essa geração do terceiro milenio é aquela que está vindo para dar um novo rumo, uma nova esperança ao mundo. E isso só pode ser coisa de Deus. Será? De qualquer modo, uma nova vida é sempre esperança, seja de um mundo, seja de uma vida melhor. A vida segue e se renova e nós, bom, nós seguimos também até cumprir nossa jornada.
É engraçada essa coisa de conviver com os dois lados da moeda, vida e morte. Convivemos o tempo todo com estes dois lados e sempre optamos por negligenciar o primeiro e negar o segundo, o que acaba por tornar nossa existência vaga, sem expressão. Um dia na aula do Professor José Carlos Michelazzo ele disse que, quando alguém morre somos tomados de surpresa, como quem diz: "Oh, morreu, como pôde acontecer!" Como se não soubéssemos que isso pode sim acontecer, como se realmente fôssemos pegos de surpresa.
Tenho estado muito angustiada por estes dias, não porque meu pai morreu, mas porque viver às vezes é um tanto trabalhoso. Como qualquer ser humano normal, sofro de ansiedade pelas coisas que não posso controlar e às vezes tenho muita dificuldade em ter paciência e esperar o tempo certo das mesmas. Daí me angustio, fico sem ar.
Tem um ditado popular que diz: o que não tem remédio, remediado está. Pois bem, se não controlo tudo é porque nem tudo precisa ser controlado, algumas coisas são apenas, quer a gente queira, quer não, não é assim?
Domingo, tomada por esta angústia enquanto voltava do aeroporto após ter deixado meu marido, achei que ia sufocar se voltasse pra casa, foi quando me veio a ideia de ir à missa. Devia ser umas 19:15h. A missa costumava ser às 20h e eu pensei que não teria paciência de esperar começar, mas decidi parar assim mesmo. Como os arredores da Igreja não são um ambiente assim muito familiar, pensei que se não conseguisse um bom lugar para estacionar, talvez fosse melhor ir embora. Parei na porta da Igreja, tinha uma vaga perfeita esperando por mim e, para minha surpresa, cheguei às 19:30h e a missa estava começando, não poderia ter sido mais perfeito. Deus, que é quem está no controle de tudo me levou até lá para me dizer que Ele está cuidando de tudo, que não tenho motivos pra me preocupar. Enquanto a missa se desenrolava meu coração ia se acalmando e acabei me lembrando que quando criança eu ia à missa com meu pai e depois a gente parava na lanchonete quintal para comer doce. Eu não gostava da missa, sentia sono, mas adorava os doces. Tinha um bolo amarelinho com uma cobertura toda branca que eu adorava, ele era molhadinho por dentro. Nunca mais comi. Até tentei conseguir a receita com o Seu Jesus, dono da finada lanchonete, com quem trabalhei por 5 anos na prefeitura de Cambuí, mas ele não se lembrou que bolo era aquele. Eu também gostava de uma torta de côco que a massa era meio salgadinha, talvez devido à manteiga usada para untar a forma, mas que tinha um recheio bem docinho, huuummm. E o arroz doce também era dos deuses, com açúcar queimado e canela em pó. Naquele tempo penso que Deus falava comigo através dos doces, pois em companhia deles a vida também se tornava doce e eu sentia a confiança de que tudo ia dar certo. Hoje os doces são calorias a mais e uma bela bronca na consulta de pré-natal, mas acho que a maturidade me ensinou a ouvir o que Deus tem a me dizer de outra maneira, pela palavra, pela leitura da Bíblia e pela sensibilidade em perceber sua obra em minha vida.
Ainda assim me desespero às vezes, porque eu acho que ainda não aprendi a entregar minha vida a Ele e fico sempre querendo controlar tudo.
Dia 05 deste mês fez um ano que meu pai fez sua primeira consulta na UNIFESP. No dia 25 fará um ano que ele veio em definitivo pra se tratar. Dia 04/12 completará um ano da cirurgia, um dia que ele desejou muito que chegasse pois seria a concretude de que tudo deu certo, dia 21/12, um ano que ele teve a primeira complicação a primeira re-internação. Dias 24 e 25/12, um ano do Natal que passamos no hospital, dia 28/12, alta. Dia 31/12, passagem de ano com todos felizes e saudáveis, cheios de esperança de que a cura era possível e que tudo não passou de um sonho ruim. E assim por diante.
Penso que se dedicássemos um tempo para pensar na morte, saberíamos melhor aproveitar a vida. Tenho sonhado com meu pai e ele sempre está vivo no meu sonho, embora eu não consiga saber se está feliz ou triste. Eu fico triste quando penso nele, fico feliz quando sinto a Luiza se mexer no meu ventre e fico triste de novo em não poder dar uma ligadinha pra ele pra contar como a neta dele está sapeca e forte. Penso que conviver com tudo isso é realmente um dom que Deus nos dá, porque não é fácil. Todos os dias tomo a decisão de seguir adiante porque a vida não pára, embora às vezes o cansaço é tanto que dá vontade de pedir a Deus que, já que Ele está no controle de tudo, será que não daria pra dar uma paradinha no mundo só pra gente tomar uma águinha, dar uma descansadinha antes de continuar?
Quande penso que estou grávida penso também que o mundo tem jeito. Várias amigas minhas estão grávidas também ou tiveram filho à pouco. São muitas as razões que levam uma mulher ou um casal a querer ter um filho, mas acho que o que pouca gente pensa é que ter um filho é uma atitude que envolve e beneficia toda a humanidade. Alguém disse, acho que no curso de gestante que fiz, que essa geração do terceiro milenio é aquela que está vindo para dar um novo rumo, uma nova esperança ao mundo. E isso só pode ser coisa de Deus. Será? De qualquer modo, uma nova vida é sempre esperança, seja de um mundo, seja de uma vida melhor. A vida segue e se renova e nós, bom, nós seguimos também até cumprir nossa jornada.

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