Agora há pouco, enquanto eu preparava meu almoço, tocou o telefone. Era do Hospital São Paulo procurando pelo meu pai. O Sr. Anivio por favor?, perguntou a moça do outro lado da linha. De que se trata? Respondi, perguntando. Ela queria atualizar o cadastro. Meu pai faleceu, disse, aí mesmo no Hospital São Paulo. Sinto muito, ela falou se desculpando por não saber, apenas confirmando se foi este ano mesmo. Sim. Desliguei o telefone e não me contive, que triste notícia para ser dada mesmo para alguém que apenas liga para atualizar um cadastro! Não sei quantas vezes disse essa frase até hoje e não sei quantas vezes ainda vou repeti-la. Mas sempre parece ser a primeira vez, sempre é a constatação do que houve, mas que sempre teimamos em pensar que podia não ser de verdade. Que ninguém morre, que somos todos eternos e estamos todos aqui, vivos e felizes, sem doenças nem tristezas.
Ontem quando fui dormir fiquei pensando que no inicio toda vez que pensava em minha filhinha, era com meu pai que eu conversava. O tempo está passando e minha bonequinha sapeca está cada vez mais sapeca, e pula, e brinca. Hoje tenho conversado bem mais com ela do que com ele. Penso nele todos os dias e todos os dias sinto uma saudade absurda e um desejo incontrolável de ir lá na casa dele procurá-lo para enfim constatar que tudo não passou de um triste engano, que nada aconteceu, que tudo é como antes.
Passado o impacto da noticia e os primeiros dias de luto, as lembranças boas vão voltando, as coisas boas que fizemos juntos, mas o contato do Hospital trouxe de volta a dor do fim, do não poder, da nossa impotência diante daquilo em que não podemos interferir. Penso que, se fosse eu atendente de tele marketing e recebesse esta noticia ao contactar um cliente, nossa, que chato. Porque noticia de morte sempre causa constrangimento, como já escrevi outro dia, é como se fôssemos pegos inteiramente de surpresa. Quando o Dorival Caymmi morreu, já nos seus 94 anos, dias depois de eu ter enterrado meu pai, vi a Nana dando entrevista e dizendo que ela, uma burra velha, com pai era um privilégio. Nunca senti tanta inveja de alguém, desejei ardentemente estar no lugar dela e ter o que ela teve, pai até depois dos 60 anos, que honra! Hoje me lembrei disso e voltei a sentir um sentimento bem egoísta, de que meu desejo não queria nada disso e a qualquer preço, embora recupere meu juízo e em seguida me dê conta que ter Seu Anivio por aqui até os seus 94 anos só seria bom de fato se ele estivesse saudável e independente, do contrário ele não viveria feliz e eu também não poderia ser feliz. Vi umas fotos da minha família no orkut do meu sobrinho que devem ser recentes, mas só consegui enxergar a ausência. E daqui por diante sempre vai aparecer a falta, sempre vai ficar evidente a ausência. Mesmo que algum dia minha mãe encontre alguém e se case de novo e um novo membro passe a compor as fotos de família, sempre será a foto em que ele não está.
Ele faleceu, triste noticia, e não é para fins de atualização de cadastro. É um fato, embora pareça um sonho ruim que logo vai passar.
Se alguém por curiosidade se dedicar a ler este post e tiver seus pais vivos, por favor, curtam bastante essa dádiva, pois não somos eternos como gostamos de pensar.
Ontem quando fui dormir fiquei pensando que no inicio toda vez que pensava em minha filhinha, era com meu pai que eu conversava. O tempo está passando e minha bonequinha sapeca está cada vez mais sapeca, e pula, e brinca. Hoje tenho conversado bem mais com ela do que com ele. Penso nele todos os dias e todos os dias sinto uma saudade absurda e um desejo incontrolável de ir lá na casa dele procurá-lo para enfim constatar que tudo não passou de um triste engano, que nada aconteceu, que tudo é como antes.
Passado o impacto da noticia e os primeiros dias de luto, as lembranças boas vão voltando, as coisas boas que fizemos juntos, mas o contato do Hospital trouxe de volta a dor do fim, do não poder, da nossa impotência diante daquilo em que não podemos interferir. Penso que, se fosse eu atendente de tele marketing e recebesse esta noticia ao contactar um cliente, nossa, que chato. Porque noticia de morte sempre causa constrangimento, como já escrevi outro dia, é como se fôssemos pegos inteiramente de surpresa. Quando o Dorival Caymmi morreu, já nos seus 94 anos, dias depois de eu ter enterrado meu pai, vi a Nana dando entrevista e dizendo que ela, uma burra velha, com pai era um privilégio. Nunca senti tanta inveja de alguém, desejei ardentemente estar no lugar dela e ter o que ela teve, pai até depois dos 60 anos, que honra! Hoje me lembrei disso e voltei a sentir um sentimento bem egoísta, de que meu desejo não queria nada disso e a qualquer preço, embora recupere meu juízo e em seguida me dê conta que ter Seu Anivio por aqui até os seus 94 anos só seria bom de fato se ele estivesse saudável e independente, do contrário ele não viveria feliz e eu também não poderia ser feliz. Vi umas fotos da minha família no orkut do meu sobrinho que devem ser recentes, mas só consegui enxergar a ausência. E daqui por diante sempre vai aparecer a falta, sempre vai ficar evidente a ausência. Mesmo que algum dia minha mãe encontre alguém e se case de novo e um novo membro passe a compor as fotos de família, sempre será a foto em que ele não está.
Ele faleceu, triste noticia, e não é para fins de atualização de cadastro. É um fato, embora pareça um sonho ruim que logo vai passar.
Se alguém por curiosidade se dedicar a ler este post e tiver seus pais vivos, por favor, curtam bastante essa dádiva, pois não somos eternos como gostamos de pensar.

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