segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A triste noticia.

Agora há pouco, enquanto eu preparava meu almoço, tocou o telefone. Era do Hospital São Paulo procurando pelo meu pai. O Sr. Anivio por favor?, perguntou a moça do outro lado da linha. De que se trata? Respondi, perguntando. Ela queria atualizar o cadastro. Meu pai faleceu, disse, aí mesmo no Hospital São Paulo. Sinto muito, ela falou se desculpando por não saber, apenas confirmando se foi este ano mesmo. Sim. Desliguei o telefone e não me contive, que triste notícia para ser dada mesmo para alguém que apenas liga para atualizar um cadastro! Não sei quantas vezes disse essa frase até hoje e não sei quantas vezes ainda vou repeti-la. Mas sempre parece ser a primeira vez, sempre é a constatação do que houve, mas que sempre teimamos em pensar que podia não ser de verdade. Que ninguém morre, que somos todos eternos e estamos todos aqui, vivos e felizes, sem doenças nem tristezas.
Ontem quando fui dormir fiquei pensando que no inicio toda vez que pensava em minha filhinha, era com meu pai que eu conversava. O tempo está passando e minha bonequinha sapeca está cada vez mais sapeca, e pula, e brinca. Hoje tenho conversado bem mais com ela do que com ele. Penso nele todos os dias e todos os dias sinto uma saudade absurda e um desejo incontrolável de ir lá na casa dele procurá-lo para enfim constatar que tudo não passou de um triste engano, que nada aconteceu, que tudo é como antes.
Passado o impacto da noticia e os primeiros dias de luto, as lembranças boas vão voltando, as coisas boas que fizemos juntos, mas o contato do Hospital trouxe de volta a dor do fim, do não poder, da nossa impotência diante daquilo em que não podemos interferir. Penso que, se fosse eu atendente de tele marketing e recebesse esta noticia ao contactar um cliente, nossa, que chato. Porque noticia de morte sempre causa constrangimento, como escrevi outro dia, é como se fôssemos pegos inteiramente de surpresa. Quando o Dorival Caymmi morreu, já nos seus 94 anos, dias depois de eu ter enterrado meu pai, vi a Nana dando entrevista e dizendo que ela, uma burra velha, com pai era um privilégio. Nunca senti tanta inveja de alguém, desejei ardentemente estar no lugar dela e ter o que ela teve, pai até depois dos 60 anos, que honra! Hoje me lembrei disso e voltei a sentir um sentimento bem egoísta, de que meu desejo não queria nada disso e a qualquer preço, embora recupere meu juízo e em seguida me dê conta que ter Seu Anivio por aqui até os seus 94 anos só seria bom de fato se ele estivesse saudável e independente, do contrário ele não viveria feliz e eu também não poderia ser feliz. Vi umas fotos da minha família no orkut do meu sobrinho que devem ser recentes, mas só consegui enxergar a ausência. E daqui por diante sempre vai aparecer a falta, sempre vai ficar evidente a ausência. Mesmo que algum dia minha mãe encontre alguém e se case de novo e um novo membro passe a compor as fotos de família, sempre será a foto em que ele não está.
Ele faleceu, triste noticia, e não é para fins de atualização de cadastro. É um fato, embora pareça um sonho ruim que logo vai passar.

Se alguém por curiosidade se dedicar a ler este post e tiver seus pais vivos, por favor, curtam bastante essa dádiva, pois não somos eternos como gostamos de pensar.

Nenhum comentário: