Domingo é o dia mais difícil da semana porque é quando a saudade mais aperta. Domingo tem essa cara de não tem o que fazer, amanhã é segunda, mas é o dia do almoço de família também. É o dia do encontro, mas chega a hora da despedida.
Hoje é o primeiro dia do horário de verão e eu estava ávida para que começasse, porque não aguento acordar às 5 da manhã com a luz do dia já no meu quarto. Por anos a fio vi meu pai marcar no chão até onde o sol chegava até o dia de São João, marca que permanecia até São Pedro (acho que os santos são esses mesmos) e começar a voltar. Todo ano ele fazia isso, como aqueles relógios de sol, só que para as estações do ano. Ele marcava os dias de chegada e partida do inverno. Meu pai não gostava de frio, só vestia agasalho quando geava e ficava trancado em casa, sentado no sofá com minha mantinha de nenê cobrindo suas pernas. Acredito que ele ficava contando os dias pra ficar livre da tortura. Quando fui para Bauru fazer faculdade fiquei com vontade de levar a manta porque eu ainda dormia com ela, mas não tive coragem. Ainda bem. Até morrer, sempre que estava frio ele jantava e sentava no sofá no inicio da noite e cochilava até a hora do jornal nacional, sempre com a manta esquentando suas pernas. Era assim todo dia menos no sábado, dia da missa. Aos domingos ligava a tv para assistir globo rural. Eu odiava, tinha chegado tarde da balada e acabava acordando muito cedo com a TV alta. Depois ele desligava a TV e sumia, ia andar em algum lugar, aparecia na hora do almoço. Quando criança ele às vezes fazia churrasco no domingo. Tínhamos uma churrasqueira improvisada numa peça de carro que parece uma panela. Meu pai gostava de carne bem passada. Sempre tinha carne de porco que dava uma torradinha nas pontinhas, huuummmm, nunca mais comi nada igual. Em 2003 construímos uma churrasqueira de alvenaria mas, sinto muito, ela não dá um churrasco tão saboroso como aquele. Depois do almoço todo mundo ia dormir. Churrasco e maionese. Soneca. Quer domingo mais gostoso que este?
Durante a semana sempre tem alguma coisa a se fazer que preenche a vida. Quando saí de casa pra estudar domingo era dia de ligar e falar com todo mundo na hora do almoço, antes da soneca. Mesmo depois de casada eu continuava ligando aos domingos. Às vezes saía e acaba esquecendo, ligava à noite, ligava na segunda, mas domingo é o dia de pensar na família, de estar em família, de sentir falta da família.
Os domingos ficaram vazios. E eu sei que não são só os meus. Nem tenho ligado aos domingos, tenho ligado aos sábados porque dói muito não pedir mais para falar com ele. Acho que ninguém mais assiste ao globo rural. Hoje estou com muita saudade e vontade de ligar para ele onde estiver para contar que a Luiza está mexendo, dando pulos no meu ventre e até responde quando peço. Vontade de contar que sua neta é mesmo uma bonequinha sapeca, esperta e inteligente como ele adoraria conhecer.
Acho que os domingos nunca mais serão apenas domingos, mas domingos da saudade... paizinho, que saudade, que vontade de pedir pro senhor voltar...
Ps: esse blog é maluco, sempre publica um horário que não é o que eu postei. Vou começar a colocar o horário das mensagens.
Hoje é o primeiro dia do horário de verão e eu estava ávida para que começasse, porque não aguento acordar às 5 da manhã com a luz do dia já no meu quarto. Por anos a fio vi meu pai marcar no chão até onde o sol chegava até o dia de São João, marca que permanecia até São Pedro (acho que os santos são esses mesmos) e começar a voltar. Todo ano ele fazia isso, como aqueles relógios de sol, só que para as estações do ano. Ele marcava os dias de chegada e partida do inverno. Meu pai não gostava de frio, só vestia agasalho quando geava e ficava trancado em casa, sentado no sofá com minha mantinha de nenê cobrindo suas pernas. Acredito que ele ficava contando os dias pra ficar livre da tortura. Quando fui para Bauru fazer faculdade fiquei com vontade de levar a manta porque eu ainda dormia com ela, mas não tive coragem. Ainda bem. Até morrer, sempre que estava frio ele jantava e sentava no sofá no inicio da noite e cochilava até a hora do jornal nacional, sempre com a manta esquentando suas pernas. Era assim todo dia menos no sábado, dia da missa. Aos domingos ligava a tv para assistir globo rural. Eu odiava, tinha chegado tarde da balada e acabava acordando muito cedo com a TV alta. Depois ele desligava a TV e sumia, ia andar em algum lugar, aparecia na hora do almoço. Quando criança ele às vezes fazia churrasco no domingo. Tínhamos uma churrasqueira improvisada numa peça de carro que parece uma panela. Meu pai gostava de carne bem passada. Sempre tinha carne de porco que dava uma torradinha nas pontinhas, huuummmm, nunca mais comi nada igual. Em 2003 construímos uma churrasqueira de alvenaria mas, sinto muito, ela não dá um churrasco tão saboroso como aquele. Depois do almoço todo mundo ia dormir. Churrasco e maionese. Soneca. Quer domingo mais gostoso que este?
Durante a semana sempre tem alguma coisa a se fazer que preenche a vida. Quando saí de casa pra estudar domingo era dia de ligar e falar com todo mundo na hora do almoço, antes da soneca. Mesmo depois de casada eu continuava ligando aos domingos. Às vezes saía e acaba esquecendo, ligava à noite, ligava na segunda, mas domingo é o dia de pensar na família, de estar em família, de sentir falta da família.
Os domingos ficaram vazios. E eu sei que não são só os meus. Nem tenho ligado aos domingos, tenho ligado aos sábados porque dói muito não pedir mais para falar com ele. Acho que ninguém mais assiste ao globo rural. Hoje estou com muita saudade e vontade de ligar para ele onde estiver para contar que a Luiza está mexendo, dando pulos no meu ventre e até responde quando peço. Vontade de contar que sua neta é mesmo uma bonequinha sapeca, esperta e inteligente como ele adoraria conhecer.
Acho que os domingos nunca mais serão apenas domingos, mas domingos da saudade... paizinho, que saudade, que vontade de pedir pro senhor voltar...
Ps: esse blog é maluco, sempre publica um horário que não é o que eu postei. Vou começar a colocar o horário das mensagens.

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