quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dia dos pais


E por falar em celebrar, esta mania que meu pai tinha de não gostar de festa, dia dos pais, Natal, dia das crianças para ele sempre foram datas comerciais, sendo assim, algumas passavam em branco. Quando criança a gente fazia lembrancinhas na escola no dia dos pais e eu sempre trazia pra ele, mas ele nunca dava muita importância não. Acho que na época eu não me dava conta disso porque não trago nenhuma lembrança triste desta época, mas me lembro de ter encontrado no ano seguinte o presente do ano passado sem abrir. Coisas de Anivio, vai entender. Hoje penso que não ensinaram a ele como proceder diante destas homenagens. Morei seis anos em Bauru enquanto estudava, então dia dos pais eu sempre estava longe, se ele não fazia questão, passei a não fazer também. Percebi que isto tinha mudado há uns dois anos. Eu fazia um curso em que as aulas aconteciam um final de semana por mês, sempre no segundo de cada mês. No dia dos pais tive aula e depois devo ter ido comer e, enfim, lembrei de ligar lá pelas 10 da noite. Meu pai dormia cedo, nesse horário ele já deveria estar recolhido, mas liguei assim mesmo e, para meu espanto, ele estava ao lado do telefone. Acho que ficou lá me esperando. Neste dia percebi que de repente ele passou a se importar. Ano passado o dia dos pais aconteceu quatro dias antes da sua primeira cirurgia e quatro dias antes do meu aniversário. Mesmo muito cansada pedi ao meu marido que fôssemos almoçar com ele, acho que não fazia isso há anos. Na véspera ficamos horas num shopping procurando o presente perfeito ate´encontrá-lo, e eu fiz um bolo pra celebrar meu aniversário.
No dia, família reunida, ninguém deu atenção pro bolo nem pra mim porque tinha chegado a Maria Clara, a mais nova integrante da família, filha do meu irmão, e ela era a grande atração, mas foi um dia maravilhoso, um pouco com cara de despedida, mas maravilhoso.
Quando cheguei fui logo dando o presente. Como sempre ele não queria abrir, então o ajudei e, surpresa, era um aviãozinho, desta miniaturas que vendem em aeroportos. Um boing de dois andares que cabe na palma da mão, meu pai adorava aviões e quando estava aqui ficava na janela observando os aviões que pousam e decolam do Aeroporto de Congonhas, do qual sou quase vizinha.
Ele parecia uma criança ganhando brinquedo no Natal. Tenho a impressão de que esse foi o primeiro brinquedo que ele ganhou em toda a sua vida, nunca vou esquecer aquele sorriso, quanta riqueza. E nunca vou esquecer aquele abraço, acho que foi o melhor abraço que ganhei dele. Isso era outra coisa que ele também não aprendeu direito. Mas acho que tudo isso faz parte da época em que ele nasceu e foi criado.
Fiz questão de estar lá com ele porque temia ser aquele o ultimo dia dos pais dele vivo, eu estava certa.
Este ano minha mãe, irmã e sobrinhos vieram pra cá para passear e durante o dia todo nem me dei conta de que o dia dos pais já havia chegado, embora tenha sofrido com toda sorte de publicidade anunciando o tal dia.
Pai e mãe são as duas coisas mais importantes que temos na vida por muito tempo, depois vem companheiro, filhos, mas eles, pai e mãe, são o princípio de tudo. E quantos de nós não aproveita.
às vezes me esqueço que estou escrevendo este blog pra minha filhinha Luiza, penso que estou escrevendo pra uma multidão conectada na rede e penso mesmo que minha experiência possa servir a outras pessoas, possa ensiná-las a viver melhor, com autenticidade, propagando o amor, se reconciliando com as pessoas, deixando as bobagens de lado.
Mas o que desejo mesmo é conseguir ensinar à Luiza. Poder dizer a ela que só se vive uma vez, por isso precisamos viver bem. Meus pais, com todas as manias deles conseguiram nos ensinar o valor da família, deu pra ver em tudo o que passamos o quanto somos unidos, mesmo com todas as rusgas e diferenças. Espero conseguir dar à minha Lu uma família assim, que ser reúne e produz uma imagem linda como esta, que fizemos no dia dos pais do ano passado. Acho que desta forma foi o único, e se não foi, estou certa de que foi o melhor.
A proximidade da morte faz isso com a gente: aprendemos a dar valor na vida, que é o que realmente importa.

2 comentários:

LucianaArruda disse...

e vc está linda, linda...saudades, muita! é sua casa?? que linda...minha casa ainda parece república...músico e bailarina juntos, céus..rsrs...te amo, Ni...

Nivia Gonçalves Masutti disse...

É a casa da minha mãe, aquela que vc conheceu, Lu, mas ainda não estava assim... é bonita mesmo, meu pai gostava especialmetne dos móveis.