Hoje é dia 23, faz 3 meses que meu pai partiu. Acho que ainda não consegui acreditar. Fui almoçar com minha "chefe" esta semana e ela me perguntou quando minha bebê nasce. Quando respondi ela disse que na mesma semana sua mãe fará 89 ou 90 anos, não lembro ao certo e que ela pretende fazer uma grande festa, mas que a mãe não está querendo muito. Eu respondi que ela deve fazer sim porque esse ano meu pai fez 75 anos e estava aqui em casa no dia porque tinha saído recentemente de uma das inúmeras internações. Ele nunca gostou de festa nem de fotos, dizia que era bobagem, mas mesmo contrariando o que ele disse a vida toda eu comprei um bolo de frutas e as velas, 75, em azul. Cheguei do trabalho com o bolo, acendi as velas e eu e minha mãe cantamos parabéns. Ele se emocionou, fez um pedido, rezou, soprou as velas, comeu dois pedaços do bolo e nem quis jantar. De presente eu comprei uma caneta elegante e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, de quem ele era devoto, dessas imagens desenhadas em cristal que acende uma luz. Foi lindo e até o dia de sua partida minha mãe contou que ele rezava todas as noites segurando a santinha. Depois da festinha ele passou mal, disse que foi o bolo, na verdade era a infecção que o levou tantas vezes ao hospital dando ares de que estava ganhando mais uma batalha. Ele voltou pro hospital três dias depois. Foi um período difícil. Meu pai passou por uma grande cirurgia, foi retirada a bexiga e todas as estruturas adjacentes e com uma porção do intestino uma nova bexiga foi feita e tudo correu da melhor maneira, mas ele contraiu uma infecção hospitalar. Foram 5 internações ao todo. Em todas ele entrava com febre e saía bom, mas a bendita voltava depois de alguns dias. A bactéria causadora do estrago se tornava mais forte a cada tentativa de destruí-la. Era muito frustrante porque sempre se tentava um antibiótico mais forte, mas nada garantia que daria certo.
Mas o fato é que ele estava aqui comigo no seu ultimo aniversário e neste dia ele ganhou sua primeira festa de aniversário, sinceramente não acredito que ele tenha tido outra antes desta.
Quando ele partiu, eu estava arrumando as coisas dele, separando roupas, documentos, são tantas providências a serem tomadas... de repente encontro no meio das coisas, embrulhadas no papel de presente da santinha, as velas, 75. Ele fal0u tanto mal do bolo dizendo que não tinha feito bem, uma das doideiras dele, que nunca pude imaginar que ele as guardaria. Ele ficou feliz e foi importante pra mim e hoje sei que foi pra ele também aquele momento, tanto que ele guardou.
A vida passa e a gente esquece de homenagear quem a gente ama. No ano que me casei, 2003, meu pai fez 70 anos. Acreditando que esta seria uma idade bonita de se comemorar pensei em fazer uma festa, mas minha mãe me contou que o vizinho, na mesma idade, ganhou uma grande festa, mas partiu alguns meses depois. Pensando nisso, fiquei apavorada e desisti da minha ideia. Eu me casaria em quatro meses e fiquei desesperada com a possibilidade dele não entrar comigo na Igreja, como se uma festa tivesse mesmo o poder de traçar um destino. Desta vez não quis correr o risco, mas do contrário: não fazer e perder minha ultima chance. Valeu a pena.
Celebrar os anos que se completam é celebrar a vida passada e brindar o futuro, ainda que ele seja curto. O mais importante é que ele seja intenso e deixe marcas para celebrar depois, ainda que apenas na nossa memória. A lembrança de um amor ocupa lugar de destaque na nossa memória e é a única coisa que levamos desta vida. Hoje completam-se três meses de sua partida e tenho certeza, ele levou consigo a lembrança do bolo, da vela, do presente e de todo o meu amor colocado naquela homenagem...
Três meses... parece que foi ontem... parece que não o vejo há 10 anos de tanta saudade que sinto...
Mas o fato é que ele estava aqui comigo no seu ultimo aniversário e neste dia ele ganhou sua primeira festa de aniversário, sinceramente não acredito que ele tenha tido outra antes desta.
Quando ele partiu, eu estava arrumando as coisas dele, separando roupas, documentos, são tantas providências a serem tomadas... de repente encontro no meio das coisas, embrulhadas no papel de presente da santinha, as velas, 75. Ele fal0u tanto mal do bolo dizendo que não tinha feito bem, uma das doideiras dele, que nunca pude imaginar que ele as guardaria. Ele ficou feliz e foi importante pra mim e hoje sei que foi pra ele também aquele momento, tanto que ele guardou.
A vida passa e a gente esquece de homenagear quem a gente ama. No ano que me casei, 2003, meu pai fez 70 anos. Acreditando que esta seria uma idade bonita de se comemorar pensei em fazer uma festa, mas minha mãe me contou que o vizinho, na mesma idade, ganhou uma grande festa, mas partiu alguns meses depois. Pensando nisso, fiquei apavorada e desisti da minha ideia. Eu me casaria em quatro meses e fiquei desesperada com a possibilidade dele não entrar comigo na Igreja, como se uma festa tivesse mesmo o poder de traçar um destino. Desta vez não quis correr o risco, mas do contrário: não fazer e perder minha ultima chance. Valeu a pena.
Celebrar os anos que se completam é celebrar a vida passada e brindar o futuro, ainda que ele seja curto. O mais importante é que ele seja intenso e deixe marcas para celebrar depois, ainda que apenas na nossa memória. A lembrança de um amor ocupa lugar de destaque na nossa memória e é a única coisa que levamos desta vida. Hoje completam-se três meses de sua partida e tenho certeza, ele levou consigo a lembrança do bolo, da vela, do presente e de todo o meu amor colocado naquela homenagem...
Três meses... parece que foi ontem... parece que não o vejo há 10 anos de tanta saudade que sinto...

Um comentário:
Que bom que mesmo com a morte ele te ensinou: viva o dia de hoje, sem medo ou arrependimentos e celebre, celebre e comemore sempre! to contigo
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